A Lua Me Disse trouxe ao ar uma comédia bem romântica
abril 22, 2022No dia 18 de abril de 2005, estreava na faixa das 19h, a novela A Lua Me Disse, escrita pelo Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa. De acordo com o site Memória Globo, a ideia da trama surgiu em um jantar dos autores. Maria Carmem Barbosa preparou um frango recheado, e Falabella batizou a receita de “O Frango Com Tudo Dentro”. Antes do cafezinho, a personagem Ademilde (Arlete Salles) já começava a ganhar um perfil. A Lua me Disse foi definida pelos autores como uma “neochanchada pop”, uma história calcada na comédia romântica, mas com tipos e situações extremas que remontam à chanchada.
O folhetim conta a história de Heloísa (Adriana Esteves) que no passado se envolveu com Ricardo Bogari (Frank Borges), desse relacionamento nasceu Artur (Guilherme Vieira). No entanto, quem é contra esse relacionamento é a mãe do rapaz, Ester (Zezé Polessa) que acusa Heloísa pela morte do filho e briga pela guarda do neto. Nos primeiros capítulos, a vilã leva o neto para sua mansão sem o consentimento da ex-nora que assim que fica sabendo do paradeiro do filho, vai atrás dele. Ester não pensa duas vezes e solta os cachorros ferozes para cima da jovem que por sorte é salva por Gustavo (Wagner Moura), o primogênito de Ester com quem ela se envolverá.
Mesmo tendo uma história tradicional, A Lua Me Disse é uma daquelas tramas que pouco ouvimos falar quando o assunto é reprise, mesmo tendo um elenco de primeira, pois não são todos os autores que tem o prazer de ter em seu elenco: Adriana Esteves e Wagner Moura juntos.
Temas sociais e polêmica
Mesmo tendo a comédia como seu gênero principal, a trama se envolveu em algumas polémicas envolvendo alguns personagens, como por exemplo, as irmãs Jurema (Mery Sheila) e Anastácia (Zezeh Barbosa) que não se conformam em ser negras, por isso alisam e clareiam os cabelos. Elas rejeitam até o seu nome de batismo e gostam de ser chamadas de Whitney e Latoya. Em um dos capítulos, a personagem Madô (Deborah Bloch) que vive em guerra com as irmãs, diz que tudo não passa de inveja, porque o cabelo dela balança. Esse tipo de diálogo é considerado racista e inserido na cena de forma cômica, o que não é mais aceitável nos dias atuais.
Grupos de proteção aos índios, não gostaram de ver a personagem Índia, vivida pela atriz Bumba, que é índia de verdade sendo frequentemente humilhada pelas irmãs da patroa. Para grupos defensores da causa indígena, a representação da personagem reforçava estereótipos negativos.
"Ela é tratada de forma exótica, como se fosse um bicho. Ela é muito maltratada. E isso acaba sendo multiplicado, pois a TV tem uma grande capacidade de difundir imagens sintéticas nas mentes das pessoas. Esse não é o papel da televisão", disse à Folha de S.Paulo em julho de 2005 o antropólogo Aloir Pacini, da Universidade Federal de Mato Grosso.
Diante das reclamações, o Ministério Público Federal no Rio de Janeiro recomendou à Globo que não fossem mais exibidas cenas em que a personagem Índia aparecesse em situações constrangedoras ou degradantes.
Mesmo com tantos temas polêmicos envolvendo a trama, bem que a emissora poderia realizar uma adaptação, da mesma forma que ela fez em 2010, para atrair compradores em mercados internacionais, onde a emissora transformou a novela em uma minissérie de 13 capítulos, de 50 minutos de duração cada, focando nas tramas principais. Claro que para nós, eles poderiam deixar bem mais capítulos.



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