
Que tal falarmos da trama Xica da Silva? A trama foi assinada com o pseudônimo de Adamo Angel, autor esse que deixou muitos intrigados, pois ninguém tinha ouvido falar de nenhum dos seus trabalhos, acreditavam que era um autor do primeiro time da Globo, sua grande concorrente. A identidade do autor foi revelada meses depois e todos saciaram a curiosidade e descobriram que Adamo era, na realidade o consagrado Walcyr Carrasco, que na época era funcionário do SBT, e aproveitava para fazer uma graninha extra por fora. Após o sucesso da trama, o autor fechou contrato com o SBT como autor titular de novelas, lançando em 1998 a trama Fascinação, mas voltamos para Xica da Silva.
A direção da extinta Manchete estava empenhada em investir em novelas adaptadas de obras literárias que fossem fortes o bastante para manter a audiência de Tocaia Grande (1995). O diretor Walter Avancini, teve a ideia de desenvolver uma novela inspirada em três livros de Machados de Assis, no estilo da trama Essas Mulheres (2005), da Rede Record. No entanto, o projeto que foi nomeado internamente como Paixão, ficaria muito além do que a emissora tinha para produzir. Diante dessa situação, foi preciso pensar em uma segunda alternativa que era fazer a adaptação do romance Xica que Manda, de Agripa Vasconcellos, projeto esse que sairia bem mais em conta.
Por mais que a história já estivesse sido escolhida, ainda faltava escolher quem seria a atriz que daria vida a protagonista título. Depois de fazer alguns testes com várias atrizes por todo o país, o diretor descobriu que não precisava ter ido tão longe para se deparar com a atriz que faria Xica da Silva. A escolhida foi Taís Araújo, que finalizava as gravações de Tocaia Grande, onde interpretava Bernarda.
Você tem que ouvir!
Em uma das suas postagens nas redes sociais, Taís Araújo afirmou que se sentiu confusa com quando recebeu o convite para protagonizar a trama.
“Ela é a Xica da Silva. Ela sempre foi a Xica. Quando o (Walter) Avancini me chamou para fazer, eu fiquei muito confusa. Para mim, a personificação dessa personagem era a Zezé Motta, não eu.”
Como era de se esperar, quem estampou a capa da trilha sonora de Xica da Silva, foi Taís Araújo. A trilha foi composta, orquestrada e executada por Marcus Viana, lançada na época pela Bloch Som e Imagem. Ao todo temos 14 faixas que conta com algumas canções instrumentais feitas pela Transfônica Orkestra e Collegium Musicum Brasiliensis e outras com a voz de: Zezé Motta, Eduardo Dusek, Carla Villar e Patrícia Amaral.
Em entrevista concedida para a Folha de S.Paulo, publicada no dia 02 de abril de 1997, Marcus Viana contou um pouco como foi a construção da trilha que na sua maioria foi composta por ele inspirado nos trabalhos dos compositores barrocos mineiros, entre eles, o principal é Lobo de Mesquita, que viveu na cidade de Diamantina no século 18. Inspirado na canção “Terço”, feita por Mesquita, cuja a partitura completa é mais antiga já encontrada no Brasil, em 1780.
Outra canção que não pode ficar de fora dessa seleção é “Quenda”, baseada nos cânticos de negros escravos que trabalhavam nas lavouras e nas casas de senhores donos de minas de pedras preciosas. A maioria das canções foi executada pela Transfônica Orkestra, grupo criado por Marcus Viana que se apropriou de instrumentos árabes, africanos e indianos para produzir essa envolvente trilha.
“Foi uma experiência gratificante. É difícil de imaginar um compositor contemporâneo fazer música barroca”, afirmou ele na entrevista.
A trama foi envolvida por muitas polêmicas, a primeira delas girava em torno da abertura que utilizou imagens da Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto – Minas Gerais unidas com uma animação que mostrava Xica no lugar de Nossa Senhora da Conceição, sendo tentada por anjos barrocos que tentava despi-la e ela sorria confirmando um ar de malícia. O tema de abertura era “Xica Rainha”, escrita por Marcus Viana e interpretada por Patrícia Amaral em conjunto com a Transfônica Orkestra, inspirado em Lobo de Mesquita, gravado com instrumentos da época, como alaúde, o cravo, a viola da gamba e o violoncelo com cordas feitas de tripa de boi.
Por volta de 2004, o SBT comprou os direitos de Xica da Silva das mãos de Pedro Jack Kapeller, que ainda tinha possuía boa parte do acervo da Manchete. Com os direitos em mãos, a direção do SBT decidiu alterar a abertura que ganhou cenas retiradas da novela que se uniam com a arte barroca da primeira versão, o folhetim também teve a sua música-tema trocada e quem substituiu Marcus Viana e Patrícia Amaral, foi Jorge Ben que compôs a música “Xica da Silva”, lançada originalmente no filme com o mesmo o título em 1976, dirigido por Cacá Diegues e tendo Zezé Motta como Xica da Silva.
A segunda trilha foi lançada devido à reprise do SBT em 2005, e foi distribuída pela Sonhos & Sons, de Marcus Viana. Comparando as trilhas, elas são bem parecidas, porém, a segunda versão retirou a canção “Encontro das Águas”, e acrescentou mais três canções. No entanto, a música usada na abertura da segunda versão, não entrou na trilha da novela e só é possível encontrá-la na trilha do filme. Até onde tenho conhecimento, só temos essa seleção na versão em CD.
Xica da Silva
01. Xica rainha – Patrícia Amaral, Marcus Viana e Transfônica Orkestra
02. Qüenda – Patrícia Amaral
02. Qüenda – Patrícia Amaral
03. Trindade – Marcus Viana
04. Concerto de outono – Transfônica Orkestra
05. Caco de estrela – Zezé Motta
06. Toque de alba – Transfônica Orkestra
07. Canção de ninar – Carla Villar
08. Tema de Xica (Qüenda) – Marcus Viana
09. Capitão do mato – Tranfônica Orkestra
10. Encontro das águas – Eduardo Dusek
11. Escarlate – Marcus Viana e Transfônica Orkestra
12. Canção & Lundu – Collegium Musicum Brasiliensis
13. Coroação do rei do quilombo – Transfônica Orkestra
14. Brincadeiras Barrocas – Transfônica Orkestra
Vamos para os detalhes do CD:
- fevereiro 19, 2022
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