Torre de Babel – Nacional (1998)

dezembro 08, 2020


Recentemente, a Rede Globo decidiu renovar o seu acervo de novelas na sua plataforma digital, a cada duas semanas estamos sendo presenteados com uma trama clássica e eu não poderia deixar de acompanhar Torre de Babel, lançada em 1998. Os primeiros capítulos deram o que falar e muitos consideram as cenas bem fortes para o horário, uma das mais citadas foi a de José Clementino (Tony Ramos) que surpreende a mulher lhe traindo e transtornado com a situação a mata brutalmente com uma pá. 

“O público estranhou por causa do excesso de violência. O excesso veio justamente porque a violência estava tão banalizada, mas televisão que, se não fizéssemos algo mais violento, ninguém prestaria atenção. Talvez tenhamos exagerado um pouco no começo, mas foi bom, porque deu um alerta”, afirmou Silvio de Abreu no livro Autores, História da Teledramaturgia.

O telespectador mal sabia o que estava previsto para o ano seguinte com o surgimento do programa Linha Direta, isso sim era forte, cada caso que deixava qualquer um aterrorizado, lembro até hoje do caso do Zé Picadinho. Deixamos o programa apresentado por Marcelo Rezende de lado e voltemos para a trama escrita por Silvio de Abreu que se inspirou na realidade para desenvolver o tema central de Torre de Babel

“Depois de A Próxima Vítima, achei que o gênero thriller era muito bom para o público e para mim, porque, como já disse, é dos meus preferidos. Estava em Nova York quando houve um atentado à bomba ao World Trade Center, anterior ao atentado de 11 de setembro. Pensei que seria uma boa ideia fazer um núcleo em um shopping center, onde podiam acontecer muitas coisas, inclusive um atentado. Armei a história em cima disso.”

Você tem que ouvir!

Ao todos tivemos 14 faixas nacionais que foram selecionadas por Mariozinho Rocha, canções essas que foram muito bem aproveitas na trama, claro que umas mais do que outras, durante o texto comento quais delas foram as mais tocadas.

A escolhida para estampar a capa foi a vilã Ângela Vital (Claúdia Raia). A responsável pelas belas imagens que temos na capa e contra capa do CD são de Bia Parreiras que clicou a personagem em seus trajes sociais. Aliás, com os desenrolar dos capítulos, vamos vendo o amor que a antagonista sente por Henrique (Edson Celulare) se transformar em ódio. 

“Sabia que ela era uma vilã horrível. Foi estratégia do Silvio começar devagar, pela sombra, aparecendo uma coisinha aqui e ali”, contou a atriz em uma entrevista ao Jornal Folha de São Paulo, em 10 de janeiro de 1999. 

Cláudia até aquele momento sempre foi lembrada pelo seus papéis cômicos e por meio dos textos de Silvio que ela deu vida a sua primeira vilã, no entanto, quem mais se destacou como antagonista foi Sandra, a famosa Sandrinha interpretada brilhantemente por Adriana Esteves que abocanhou vários prêmios de melhor atriz naquele ano.


A primeira canção que ouvimos é “Te Amo”, interpretado por José Augusto que foi retirado do CD titulado Apacionado, lançado em 1998. Nesse mesmo ano quem também tinha lançado um disco foi Simone e foi de lá que foi pescada a faixa “Louca”, uma regravação de “Crazy” que ficou muito conhecida na voz de Julio Iglesias e fez parte da trilha internacional de A Viagem (1994). A versão original é composta pelo cantor americano Willie Nelson, por volta de 1961 e foi feita especialmente para Billy Walker, que recusou a canção. No entanto, quem decidiu aceitar a composição foi Patsy Cline que assim que gravou a canção, tornou-se um sucesso para a cantora, fazendo com que ela ganhasse a posição número 85º na lista da revista americana Billboard das 500 Maiores Canções de Todos os Tempos.

Em 1998, a canção “Felicidade Que Saudade de Você” da dupla sertaneja Zezé Di Camargo & Luciano entrou para trilha sonora da novela Torre de Babel, canção inserida como faixa bônus do oitavo álbum de carreira, lançado naquele mesmo ano. Mais um grande sucesso da dupla que recebeu o disco de diamante da Associação Brasileira dos Produtores de Discos – ABPD pela venda de um milhão de cópias.

Seguindo mais adiante na trilha ouvimos uma das mais tocadas, principalmente nos capítulos iniciais onde vemos Sandrinha armando o seu grande plano para ficar rica. A música tema dela foi “SNS (Só No Sapatinho)” do Grupo Só No Sapatinho, lançada em 1998. A banda de pagode Só no Sapatinho nasceu com o título de Faixa Nobre, nome esse que já estava registrado por um conjunto de bolero, no entanto, Anderson Leonardo, vocalista do grupo Molejo resolveu ajudar os amigos e sugeriu o nome Só No Sapatinho que ficou muito conhecido na década de 1990, graças a esse casamento perfeito entre personagem e canção tema. 

“Foi uma loucura. Muita gente achava que a canção tinha sido feita para a novela, mas não. Ela foi composta por Arlindo Cruz para o grupo. Então, mostrei para o Mariozinho Rocha (produtor musical da Globo na época), que adorou, colocou na trilha e ela explodiu. Virou o carro-chefe da novela. Até hoje as pessoas lembram“, recordou Bruno, vocalista do grupo para entrevista concedida ao Jornal Extra.

Outro sucesso é a belíssima canção “Vambora” escrita e interpretada por Adriana Calcanhotto, o hit faz parte de Maritmo, quarto álbum da cantora lançado no mesmo ano da novela. O disco recebeu um disco de ouro, isso significa que a compositora vendeu mais de 150 mil cópias no país e uma boa parte dele é graças a canção que foi inserida na trama que entrou para ser tema do casal Rafaela Katz (Christiane Torloni) e Leila (Sílvia Pfeifer), personagens esses que incomodou e muito os telespectadores conversadores, fazendo com que o autor eliminasse as duas na explosão do shopping.

Em seu canal no YouTube, Adriana contou um pouco sobre o processo de criação das suas canções, caso você não conheça, vale muito a pena acompanhar. Para iniciar esse projeto feito junto com Andrea Franco e Murilo Alvesso durante a quarentena contra o Covid-19, ela já começa comentando sobre a música “Vambora”, que ela fez por meio de duas lombadas dos livros: uma deles estava escrito Dentro da Noite Veloz, livro de poesia de Ferreiro Gullar e o outro A Cinza das Horas, também livro de poesia de Manuel Bandeira.

“A canção foi composta em torno dessas lombadas enquanto versos, ou seja, é uma canção feita para que as duas lombadas sejam integrantes dos versos do refrão", contou a compositora.


“Toda Vez”
 de Zélia Duncan saiu do seu quarto álbum Acesso, lançado em 1998. Acesso trouxe um conteúdo mais folk e pop para a carreira de Zélia Duncan, diferente de seus álbuns anteriores. A produção executiva ficou a cargo de Beth Araújo com a direção artística de Paulo Junqueiro. A canção é composta tanto pela cantora quanto por Christiaan Oyens, que também é o responsável pela produção deste disco que contou com 11 faixas. Por mais que a canção tenha uma linda letra, não me recordo ter ouvido ela tocar muito na trama.

Na sequência já ouvimos “Onde foi que eu Errei?” do grupo Fat Family que teve mais uma faixa retirada do seu disco de estreia, lançado em 1998. Após verem a canção “Gulosa” como tema de abertura de Andando nas Nuvens (1998), chegou a vez de ter uma música no horário nobre, elevando ainda mais a visibilidade do grupo diante do público que contribuiu adquirindo o CD do grupo, que foi premiado com Disco de Platina pela Associação Brasileira dos Produtores de Discos – ABPD, devido as mais de 250 mil cópias vendidas em todo Brasil.

O tema de abertura é um dos mais esperados e aqui temos uma curiosidade envolvendo essa trama que teve algumas mudanças, vou começar comentando com o tema de abertura que de início teve uma canção instrumental bem dramática que foi encomendada ao pianista, arranjador e produtor musical Alberto Rosenblit que casou muito bem com as imagens inspirada na obra Torre de Babel do pintor flamengo Pieter Bruegel, que trazia um ar meio que sombrio. No entanto, após a explosão do shopping Tropical Towers, a canção-tema foi substituída pela música “Pra Você”, um grande sucesso de Sílvio César, que ganhou a voz de Gal Costa que foi inserida em uma abertura com imagens bem mais claras.

Torre de Babel foi a primeira trama que comecei assistir do começo ao fim nesse resgate das telenovelas que estão sendo disponibilizadas no Globoplay. Atualmente, estou assistindo O Clone (2001) e logo mais vou escrever algo sobre a trilha sonora desse clássico criado por Glória Perez.

Nacional

01. Te Amo – José Augusto
02. Loca – Simone
03. Felicidade, Que Saudade de Você – Zezé Di Camargo & Luciano
04. Eternamente – Fafá de Belém
05. Só No Sapatinho – Só no Sapatinho
06. Quase Fui Lhe Procurar – Luiz Melodia
07. Muito Mais – Roupa Nova
08. Vambora – Adriana Calcanhotto
09. Onde Foi Que Errei – Fat Family
10. Toda Vez – Zélia Duncan
11. Telefone – Nara Leão
12. Urubu Malandro – Paulo Moura e Os Batutas
13. Moda de Sangue – Elis Regina
14. Pra Você – Gal Costa


Vamos para os detalhes do CD:

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