Quatro por Quatro mostra a vingança das mulheres contra os homens

novembro 10, 2022


Se tem uma trama que está presente na memória dos noveleiros, com certeza essa trama é Quatro por Quatro (1994), escrita por Carlos Lombardi, uma novela com um ritmo dinâmico e texto bem descontraído que gira em torno de vingança. O folhetim já foi exibido em mais de 10 países, além de ter sido reprisada em 1998, no Vale a Pena Ver de Novo.

A história envolvendo as protagonistas é marcado pelo encontro entre quatro mulheres: a dondoca Abigail (Betty Lago), a dona de casa Auxiliadora (Elizabeth Savala), a tímida secretária Tatiana (Cristiana Oliveira) e a manicure Babalu (Letícia Spiller).

As quatro acabam atrás de uma cela após um acidente de carro no trânsito do Rio de Janeiro. E é lá que elas descobrem que possuem um desejo em comum que é se vingar dos seus ex-parceiros. Assim que elas deixam a prisão, se tornam amigas e cúmplices, e sempre que possível, se reúnem armar uma vingança contra Gustavo (Marcos Paulo), Alcebíades (Tato Gabus Mendes), Fortunato (Diogo Vilela) e Raí (Marcello Novaes).

A trama também destaca a disputa dos primos Bruno (Humberto Martins) e Gustavo pela guarda de Ângela (Tatyane Fontinhas Goulart), filha de Bruno com Mércia (Helena Ranaldi).

“Quatro por Quatro foi a primeira vez em que trabalhei com Humberto Martins. Foi quando descobri que o Humberto era um dos atores que melhor falavam meu texto”, revelou o autor Lombardi ao livro Autor – Histórias da Teledramaturgia.


“Ninguém acreditava em Quatro por Quatro. Em primeiro lugar, a novela estava sucedendo A Viagem, o maior sucesso de audiência do horário das 19h. Em segundo lugar, tivemos muita dificuldade na escalação. Nenhuma das quatro atrizes que pensamos inicialmente para viver as protagonistas entrou no elenco". – Carlos Lombardi

Para dar vida a Auxiliadora, o primeiro nome sugerido foi de Eliane Giardini, porém a direção considerou que ela ainda não tinha experiência suficiente para o papel. Então, o diretor artístico, Mário Lúcio Vaz sugeriu Elizabeth Savala. Agora, a gaga e romântica Tatiana, Lombardi queria Malu Mader, no entanto, Mário Lúcio Vaz informou que iria precisar da atriz para protagonizar uma trama das 18h, foi nesse momento que Cristiana Oliveira entrou na conversa e pode trazer o seu lado cômico para trama pela primeira vez, já que a atriz só tinha feito papéis dramáticos até então.

Para a dondoca Abigail, a escolhida inicialmente foi Bruna Lombardi, porém, ela acabou não fazendo parte do elenco. Diante dessa situação, foi preciso pensar em uma outra atriz, foi quando um amigo e colaborador sugeriu o nome de Betty Lago, informando que ela possuía a veia cômica que o autor estava procurando. Foi nesse momento que surgiu uma bela amizade entre a atriz e o autor que trabalharam juntos sempre que possível.


Por último, a personagem que mais ganhou espaço na trama foi Babalu, que foi feita especialmente para Adriana Esteves. Em entrevista ao site Na Telinha, em 2019, o autor comentou sobre a nossa eterna Carminha de Avenida Brasil (2012).

“Ao contrário de muita gente, principalmente da crítica de TV da época, eu já sabia que Adriana Esteves ia ser uma das maiores atrizes do país, talvez a melhor de sua geração. Enquanto a crítica desceu o malho na sua garota fatal, mas apaixonada de Renascer, de Benedito Rui Barbosa, tinha adorado o desempenho dela. Ao rever a novela pouco tempo atrás no Canal Viva, vi que estava certo. Sua interpretação em tom baixo, mais olho do que voz era a interpretação mais moderna da novela, não envelheceu nada – assim como é o caso de Vivian Leigh em O Vento Levou. Fora injustiçada. Talvez tanta beleza e tanto talento juntos fosse ofensivo pra muita gente”. – Carlos Lombardi

Com a recusa de Adriana, foi preciso sair em busca de uma nova atriz, foi quando o diretor Paulo Ubiratan, resolveu fazer teste com uma menina que estava escalada para um papel menor. Essa menina era a ex-paquita do programa Xou da Xuxa, Letícia Spiller que já tinha realizado outros trabalhos como atriz, contudo, foi com a novela que ela ganhou destaque e cresceu dentro da trama, tomando o ar de protagonista e vencendo diversos prêmios como Atriz Revelação.

“Foi um privilégio interpretar a Babalu. Um grande presente na minha vida. Ela é uma manicure, uma mulher forte, carismática e guerreira. Muito humana. Apesar da novela ter o clima de vingança, ela mostra uma amizade verdadeira, fala de sororidade, de uma amizade muito bonita entre quatro mulheres”, relembrou a atriz Letícia Spiller ao site Gshow, em 2022.

O que tinha tudo para dar errado, hoje é considerado o maior sucesso do autor, conforme o autor revelou em uma entrevista concedida para o site Na Telinha, em 2019.

“Mesmo que da metade para o fim da novela meu único objetivo era sair vivo daquela maratona, foi uma novela que me deu muito prazer e da qual tenho saudades. Me solidificou como autor de sucesso, me permitiu ousadias maiores como Uga Uga, Quinto dos Infernos e Kubanacan. Mas foi, antes de mais nada, uma prova que anjo da guarda existe”. – Carlos Lombardi


Mais curiosidades

  • Quatro por Quatro marcou a volta da comédia ao horário das 19h. Inicialmente, a novela teria apenas 150 capítulos, mas foi esticada devido a seu grande sucesso, tendo ao todo 233.
  • Carlos Lombardi teve de dar um fim antecipado ao personagem Fortunato devido ao descontentamento do intérprete, Diogo Vilela, com os rumos dele na trama.
  • Babalu e Raí, o divertido casal formado por Letícia Spiller e Marcello Novaes, tinham a química perfeita na telinha e acabaram se acertando também na vida real. O casal permaneceu em união até 2000 e teve um filho, o hoje também ator Pedro Novaes, nascido em 1996.
  • As meias de Babalu eram uma referência às meias lurex que fizeram sucesso na novela Dancin’ Days (1978).
  • Letícia Spiller se inspirou na Mônica, personagem dos quadrinhos de Mauricio de Sousa, para compor a manicure suburbana. A bolsinha com que ela acertava Raí, toda vez que se irritava com ele, fazia as vezes do coelhinho Sansão.
  • Já o ator Kadu Moliterno se inspirou no personagem Mário Fofoca, interpretado por Luiz Gustavo na novela Ti-Ti-Ti (1985), para criar o detetive atrapalho Samuel Spadafora.
  • De acordo com o autor Carlos Lombardi, a trama de Bruno e Gustavo, que disputavam a guarda da menina Ângela, foi inspirada em histórias semelhantes criadas para Bebê a Bordo (1988) e Perigosas Peruas (1992).
  • Em sua biografia intitulada Identidade Frota – A estrela e a Escuridão 5.0, Alexandre Frota contou que foi escalado para ser o Raí, porém, com a troca na direção, ele foi retirado do projeto e substituído por Marcello Novais.


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