Éramos Seis - Volume 1 (2019)

agosto 22, 2022


Boas histórias nunca saem de moda, um bom exemplo disso é a trama Éramos Seis, que está em sua quinta adaptação do famoso romance de Maria José Dupré (1898-1984), originalmente publicado em 1943. A responsável por escrever essa nova versão é Angela Chaves, que trouxe esse belo clássico para os nossos dias atuais. Em entrevista ao Gshow, a autora contou como foi o desafio de fazer essa adaptação: 

“Senti uma grande responsabilidade, sim, não é fácil reescrever um clássico, clássico da literatura e clássico da teledramaturgia… Mas gosto de histórias de família, mergulhei nesse universo da casa da Avenida Angélica com prazer. Procuramos, eu e a equipe que me acompanha, Bernardo Guilherme, Daisy Chaves e Juliana Peres, fazer uma adaptação criteriosa do texto original da novela, que tem todos estes personagens, é uma adaptação muito boa do romance, não à toa fez tanto sucesso. Ao mesmo tempo, tem o meu olhar sobre a história, o feminino e as histórias de amor”, avalia a autora.

A primeira versão foi produzida pela Record TV, em 1958, com direção e adaptação de Ciro Bassini. O mais interessante dessa versão é que ela foi feita ao vivo, sendo a maior audiência daquele ano. A segunda adaptação, aconteceu na extinta TV Tupi em 1967, feita por Pola Civelli, com a direção de Hélio Souto. Já em 1977, a TV Tupi decidiu apostar mais uma vez nesse clássico, dessa vez com uma versão escrita por Silvio de Abreu e Rubens Ewald Filho. Em 1994, quem também decidiu arriscar nessa história foi o SBT, que contratou Silvio e Rubens para uma nova adaptação que fez muito sucesso e é lembrada até hoje pelos noveleiros de plantão. Já a versão feita pela Rede Globo, foi escrita por Angela, com base na versão escrita por Silvio. No entanto, a mais marcante delas ainda continua sendo a versão do SBT.

Você tem que ouvir!

Vamos partir para trilha sonora, ao todo foram lançados dois volumes, hoje vou comentar um pouco sobre o primeiro que trouxe na capa a família Lemos na primeira fase: Lola (Glória Pires), Júlio Lemos (Antonio Calloni), Carlos (Xande Valois), Alfredo (Pedro Sol Victorino), Isabel (Maju Lima) e Julinho (Davi de Oliveira). A imagem escolhida mostra a família em uma estação de trem pronta para viajar. Os responsáveis pela seleção foram Marcel Klemm e Juliana Medeiros que juntos selecionaram 11 faixas. Acredito que poderiam ter acrescentado mais algumas músicas como alguns temas instrumentais para completar no mínimo 14 faixas, pois 11 canções considero muito pouca, assim como a sua tiragem de 1.000 cópias.


Para compor a trilha, os responsáveis optaram por regravar alguns sucessos do passado para embalar as cenas da novela. No entanto, a canção escolhida para abertura foi batizada como “Éramos Seis”, uma canção instrumental feita originalmente para a trama, composta pelos produtores musicais Victor Pozas e Rafael Langoni Smith, com cordas gravadas pela Orquestra Filarmônica de São Petersburgo.

Acompanhando a abertura que foi feita em 3D é possível ver a evolução de alguns personagens e da cidade de São Paulo, ao longo das décadas de 1920, 1930 e 1940. A abertura também mostra alguns cenários da novela, como por exemplo, a casa da família e o cabaré frequentado por Júlio.

Na sequência, já temos a canção “Ontem ao Luar” na voz de Rubel que foi convidado pela Rede Globo de televisão para regravar essa bela música. A canção teve a melodia criada em 1907 pelo compositor e flautista Pedro de Alcântara (1866-1929), com título original de Choro e Poesia. Já a letra foi criada posteriormente em 1913, pelo compositor e poeta maranhense Catulo da Paixão Cearense (1863-1946). Olha só que engraçado, essa canção também esteve presente nas trilhas: Senhora (1975), na voz de Paulo Tapajós e A Sucessora (1978), na época gravada por Fafá de Belém que também foi selecionada para ter uma canção inserida na trilha de Éramos Seis.

Agora voltando ao Rubel, o cantor em 2018 foi indicado ao Grammy Latino na categoria melhor disco de rock ou música latina em Português, pelo disco Casas. Não é a primeira vez que podemos ouvir algo de Rubel em uma trilha, ele também está presente nas trilhas com: a canção “Quando Bate Aquela Saudade” inserida na supersérie Onde Nascem os Fortes (2018), no ano seguinte, lá estava ele novamente na seleção de Malhação: Vidas Brasileira, com a música “Partilhar”. No entanto, essa canção não entrou para trilha lançada em CD. Também ouvimos Rubel em Amor de Mãe, com “Medo Bobo”. Como podemos ver, ainda ouviremos muito Rubel nas trilhas das nossas novelas.


Quem também regravou um grande sucesso para trilha foi Fafá de Belém, que foi presenteada com a canção “Linda Flor Yayá”, conhecida como o primeiro samba canção, composta por Henrique Vogeler, Luiz Peixoto, Marques Porto e Cândido Costa em 1929. O que poucos sabem é que essa canção recebeu três versões de diferentes letristas: a primeira, de Cândido Costa, com o título de “Linda Flor”, lançada por Dulce de Almeida; a segunda, de Freire Júnior, que alterou o título da canção para “Meiga Flor”. A terceira versão só foi feita porque Araci Cortes não gostou das versões anteriores e solicitou que Luiz Peixoto fizesse novos versos para que a canção entrasse na revista Miss Brasil e no disco, com o título de Iaiá, mas que se tornou conhecida como Ai, Ioiô. Essa belíssima canção já fez parte de outras trilhas: O Sorriso do Lagarto (1991) na voz de Maria Bethânia e João Gilberto; Alma Gêmea (2005) interpretada por Gal Costa e Os Ricos Também Choram (2005), de Jane Duboc. Qual é a sua versão favorita?

Além de fazer participação na novela, o trio londrinense Cluster Sisters ainda faz parte da trilha sonora com a música “Boogie Woogie Bugle Boy”. O convite veio através do produtor musical da trama, Rafael Langoni. A intenção era encontrar um grupo que regravasse músicas para a novela, valorizando o estilo vintage. A banda ficou conhecido por meio da primeira temporada de Superstar (2014), pelo seu vasto repertório com músicas das décadas de 1930 e 1940. 

Outro destaque da trilha é “Lua Branca”, interpretada por Maria Bethânia. Uma das mais conhecidas composições de Chiquinha Gonzaga, escrita para a burleta Forrodobó, no Teatro São José em junho de 1912. No entanto, em 1929 surgiu uma versão romântica com o mesmo título, gravada pelo cantor Gastão Formenti, nesse meio tempo, outras versões apareceram e Chiquinha teve que denunciar o plágio da modinha, ganhando os direitos da canção.

Para fechar o disco, a faixa escolhida foi “Deusa da Minha Rua”, retirada do décimo sexto álbum de estúdio do cantor e compositor Roberto Carlos, lançado em 1974. A valsa seresteira é uma canção composta em 1939 por uma dupla de compositores: Newton Teixeira e Jorge Faraj. No entanto, essa canção continuou inédita por três anos, sendo gravada pela primeira vez por Sílvio Caldas. Para aqueles que não se recordam, essa canção já apareceu nas seguintes trilhas: Nova Vida (1988) e Desejo Proibido (2007). No geral, a trilha é bem interessante, mas como mencionei no começo, poderia sim ter mais canções, pois espaço na mídia com certeza não faltou. 

Volume. 1

01. Éramos seis (Tema de Abertura) – Victor Pozas e Rafael Langoni Smith
02. Ontem Ao Luar – Rubel
03. Um Só Lugar – Moreno Veloso, Tom Veloso, Cezar Mendes
04. Nenhum Amor é Proibido – João Grillo
05. Linda Flor (Ai, Ioiô) – Fafá de Belém
06. Cheek To Cheek – Lucy Alves
07. Boogie Woogie Bugle Boy – Cluster Sisters
08. Shall We Dance (Sway) – Daniel Boaventura e Big Band Jazz de México
09. Fruta Boa – António Zambujo
10. Lua Branca (Ao Vivo) – Maria Bethânia
11. Deusa da Minha Rua – Roberto Carlos


Vamos para os detalhes do CD:












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