A clássica saga do coronel José Inocêncio em Renascer
junho 07, 2022Que tal relembrarmos a trama Renascer, escrita por Benedito Ruy Barbosa, em 1993, contendo 213 capítulos tendo teve a direção de Emilio Di Biasi e Mauro Mendonça Filho e direção geral e núcleo de Luiz Fernando Carvalho. Ah, todos eles estão disponíveis no Globoplay.
“Uma grande parte das histórias você imagina, evidentemente. Mas o fundamental são as experiências de vida. Personagens que você cruza com eles pelos seus caminhos. Eu rodei três mil quilômetros no sertão baiano para escrever Renascer e fiquei mais de dez anos até conseguir trazer à tona e fazer a novela”, relembrou o autor para o site Memória Globo.
A trama foi desenvolvida em duas fases. Na primeira, vemos José Inocêncio (Leonardo Vieira) chegando nas roças de cacau de ilhéus, na Bahia e ficando o seu facão em um lindo pé de jequitibá. Com o andamento da história, o coronel se encanta por Maria Santa (Patrícia França), com ele se casa e tem quatro filhos: José Augusto (Marco Ricca), José Bento (Tarcísio Filho), José Venâncio (Taumaturgo Ferreira) e João Pedro (Marcos Palmeira).
Que amor lindo desses dois! No entanto, a alegria do casal dura pouco, porque Maria Santa morre ao dar à luz a João Pedro, que é rejeitado desde o nascimento pelo pai que culpa o caçula pela morte da mãe. Essas cenas são de cortar o coração, mas segurem as lágrimas que temos mais histórias para contar.
“O início era tão forte que tivemos que reduzir o número de capítulos, pois haveria possibilidade de rejeição da segunda parte da novela”, revelou José Bonifácio de Oliveira Sobrinho em seu “Livro do Boni”.
Na segunda fase, vemos que todos os filhos de José Inocêncio (Antônio Fagundes) moram na cidade e cada um deles tiveram estudos, o único que se manteve ao seu lado foi João Pedro, que mesmo sofrendo com a indiferença continua firme ajudando o pai na roça de cacau.
No Livro Autores, História da Teledramaturgia, o autor Benedito Ruy Barbosa contou que foi pessoalmente falar com Fagundes que de imediato informou que não queria fazer novelas naquele momento. Contudo, Benedito resolver contar para o ator como seria o começo, meio e o fim do personagem que ele estava lhe oferecendo.
“Eu contei ao Fagundes o final da história. Ele começou a chorar. Esse choro se repetiu depois, quando ele gravou a cena. Fagundes perguntou se eu garantia que seria assim, e eu assegurei que não mudaria a história. Então, ele aceitou fazer”.
A parceria foi tanta que é possível ver Fagundes em outras tramas do mesmo autor como O Rei do Gado (1996), Terra Nostra (1999), Esperança (2002), o remake de Meu Pedacinho de Chão (2014) e Velho Chico (2016).
Contudo, nada que esteja ruim não possa piorar ainda mais e isso acontece com a chegada de Mariana (Adriana Esteves), que entra para família de José Inocêncio para se vingar da morte do seu avô Belarmino (José Wilker) que foi morto na primeira fase da trama.
A relação dos dois piora com a chegada de Mariana (Adriana Esteves), por quem João Pedro se apaixona. Ele a leva para trabalhar na fazenda do pai sem saber que a jovem é neta de Belarmino (José Wilker), inimigo de José Inocêncio morto na primeira fase da novela, e que sua intenção é se aproximar da família somente para se vingar coronal, por quem ela acaba se apaixonando de verdade, deixando de lado o amor que também sente por João Pedro.
Aproveitando esse momento, vamos relembrar um momento que marcou tanto a vida pessoal quanto a carreira da nossa eterna Carminha de Avenida Brasil, estamos falando de Adriana Esteves que na época de Renascer foi duramente criticada pela sua atuação, lembrando que ela tinha 23 anos e já tinha feito vários trabalhos seguidos. As criticas foram tantas que ela entrou em depressão e se recusou a atuar em Quatro por Quatro (1994).
“Sou muito ansiosa e me cuido para nunca mais passar pelo que passei no início dos anos 90, quando sofri de depressão. Tinha 22 anos, havia acabado de gravar ‘Renascer’ e entendi as críticas à personagem como um massacre a mim. Demorei uns dois, três anos para sair desse processo. Em 1995, eu renasci após a depressão”, revelou a artista para à revista “Veja”.
No entanto, como já sabemos isso faz parte do passado e Adriana já superou tudo isso e calou muito críticos. Outro personagem que foi bastante aclamado, porém de uma forma bem positiva foi Tião Galinha (Osmar Prado), o catador de caranguejos. A morte do personagem já era algo previsto, porém, o fim foi antecipado e em entrevista para a revista Caras publicada em junho de 2015, o autor contou o motivo da sua saída.
“Durante a novela tive um embate com um executivo da Rede Globo e eu pedi pra sair, pra antecipar a morte do Tião, com ele no auge. Ele ia morrer, mas não sabia quando. (…) Aí eles botaram o Tião se suicidando. O Tião foi preso, foi pra cadeia, e se matou. Aí falei pro Luiz Fernando Carvalho [o diretor] que a cena não estava completa. Como que esse personagem, com tanta força, vai se matar por nada? Disse que queria uma bofetada na minha cara, bater em uma pessoa digna.”
O último capítulo
Sem sombras de dúvidas, a trama foi um sucesso e recentemente pude me emocionar novamente assistindo ao último capítulo, onde é possível acompanhar a morte de José Inocêncio, após contrair uma grave pneumonia, depois de ter passado a noite na chuva. Uma cena clássica é quando João Pedro retira o facão do pé de jequitibá e leva para o seu pai para que ele possa descansar em paz ao lado de Maria Santa, seu eterno amor que vem lhe buscar. Antes de morrer nos braços do filho, José Inocêncio lhe diz suas últimas palavras: “Eu amo você, meu filho. Me perdoe por nunca ter lhe dito isso. Eu amo você. Eu amo você, filho. Eu amo”, após dar um beijo no rosto do filho que ele tanto renegou, ele morre.
Curiosidades:
- Antes de ter o título oficial Renascer, a trama teve o título provisório de Bumba-Meu-Boi, porém, após algumas pesquisas realizadas pela emissora, a troca foi realizada. Vamos concordar que o novo título se encaixou perfeitamente com o enredo.
- O casal da primeira fase vividos por Patrícia França e Leonardo Vieira fizeram tanto sucesso no horário nobre que os dois foram convidados para protagonizarem o par romântico da trama das 18h, Sonho Meu (1993), de autoria de Marcílio Moraes. A nova parceria foi resultado do apelo do público, que ficou apaixonado pelo casal da ficção e pelo talento da dupla.
- “É justo, é muito justo, é justíssimo”, é um daqueles bordões que sempre que possível ouvíamos na trama, frase essa dita por Belarmino (José Wilker). Esse bordão nasceu de um improviso. O ator esquecera sua fala durante a gravação de uma cena e, para não ficar em silêncio, criou a fala que se tornou marca de seu personagem.
- Benedito Ruy Barbosa foi bem ousado ao abordar o tema hermafroditismo, tema inédito até então em uma novela, que foi abordado por meio da personagem Buba (Maria Luísa Mendonça), um personagem marcante na carreira da atriz.
- A trama já foi bem aceita nos primeiros capítulos, conquistando 61 e 63 pontos. Sua maior audiência ocorreu na terça-feira de 22/06/1993 quando marcou 70 pontos. Suas médias semanais sempre foram acima de 55, tendo uma média de 60 pontos, algo muito bom para época. Hoje, sabemos que é quase impossível bater essa pontuação, isso devido a pluralidade de opções que temos.






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