A Indomada – Volume. 1 (1997)

julho 10, 2021






Oxente, my god! Hoje é dia de falar de uma novela e de uma trilha elogiada por muitos noveleiros de plantão. A trama A Indomada foi escrita por Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares que juntos desenvolveram uma história cheia de humor que misturava o sotaque nordestino com às expressões inglesas. O que mais me chama atenção nessa novela que promove várias situações de realismo fantástico, como por exemplo: as noites de lua cheia deixava Scarlet (Luiza Tomé) louca para “nha nhá”, isso sem falar no Caderudo que atacava as mulheres da cidade de Greenville. Histórias assim, tudo pode acontecer, vai depender da imaginação dos autores.

Como era de se esperar, a atriz Adriana Esteves foi a escolhida para estampar a capa, e nos proporcionou belas imagens de Lúcia Helena. Aliás, quem recebeu o convite para ser a protagonista desse folhetim foi Cláudia Abreu, que acabou recusando o papel que acabou nas mãos de Adriana Esteves que tinha sido muito criticada em Renascer (1993), depois de um período fora da emissora carioca, ela voltou e não saiu mais, e aos poucos foi calando a boca daqueles que um dia a criticaram, tornando-se uma das atrizes mais disputadas pelos autores na atualidade.

De acordo com uma entrevista para o site Memória Globo, Adriana contou que o diretor Paulo Ubiratan a convidou para fazer a personagem da Grampola, porém, ela recusou por não se considerar mais tão jovem para fazer uma personagem que ainda era virgem. Após recusar a personagem não demorou muito tempo para o diretor retornar o contato e lhe oferecer a protagonista que se enquadrava no que Adriana estava procurando. Só por curiosidade, a atriz Claudia Abreu foi a primeira cotada para viver Eulália na primeira fase, e Helena na segunda.

Para aqueles que curtiram as fotografias que estão presentes na trilha sonora, é possível encontrar mais fotos desse ensaio na revista Moda Moldes publicada no mesmo ano.

Você tem que ouvir!

A direção musical foi assinada por Mariozinho Rocha, que selecionou 14 faixas que pudessem representar o mundo criado pelos autores: Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares. Um dado muito importante sobre essa trilha é que ela foi a última a ser lançada em vinil pela Som Livre. Com a chegada do CD, o LP foi perdendo as forças e cada lançamento as suas tiragens eram reduzidas, por esse motivo que é tão difícil encontrar o vinil dessa novela que foi o último a ser lançado, eu mesmo só tenho o CD. Ah… nesse período ainda tínhamos a versão em K7 também.



A trilha já abre com “Impossível Acreditar que Perdi Você”, um grande clássico dos anos 1970, escrita por Márcio Greyck em parceria com o seu irmão Cobel. Na época o cantor e compositor Márcio Greyck, vendeu mais de 500 mil cópias, sendo considerado na época como um fenômeno de vendas, conquistando as paradas de sucesso durante seis meses consecutivos. Essa é uma daquelas canções que encontramos várias regravações, no entanto, a mais aclamada e inserida na trama foi interpretação de Fábio Jr. No folhetim essa canção foi tema do protagonista Teobaldo (José Mayer).

Na sequência, somos agraciados com “Ciranda da Rosa Vermelha” uma adaptação do folclore brasileiro, escrita por Alceu Valença que ganhou uma belíssima interpretação de Elba Ramalho em Baioque (1997), servindo de tema romântico do casal: Emanuel (Selton Mello) e Grampola (Karla Muga). Verdade seja dita, Selton Mello deu um show de interpretação com esse personagem que teve um final memorável.

Desde da década de 1970, Alceu Valença é chamado para fazer parte de alguma trilha sonora de novela. Em A Indomada, ele tem duas canções inseridas no folhetim: uma como já vimos, com a interpretação de Elba Ramalho e a outra é “Cana-Caiana”, cantada pelo pernambucano que sempre nos presenteia com belas letras.

Após o lançamento de seus três primeiros álbuns e começar a ganhar reconhecimento pelo seu grande talento, Alceu Valença partiu para a França, em um autoexílio no final da década de 70. Mesmo longe do país de origem, o cantor e compositor deu seguimento no seu trabalho e gravou em Paris o álbum Saudade de Pernambuco (1979). O disco é considerado raro, porque foi lançado no Brasil apenas como um brinde do Jornal da Tarde, de circulação restrita à cidade de São Paulo. A música-título, Saudade de Pernambuco (Sebastião Rozendo e Salvador Micelli), tinha sido lançada em 1953 na voz icônica de Luiz Gonzaga (1912–1989). Em 2016 essa raridade foi re-lançado pela Deckdisc.

Uma das canções mais românticas é “Não Adiantou Saber”, uma versão escrita em português por Sandra de Sá e Ronaldo Bastos que faz parte do seu décimo segundo álbum A Lua Sabe Quem Eu Sou, de 1996. No entanto, esse sucesso vem da canção original “I Might Be Crying”, cantada e escrita pela cantora britânica Tanita Tikaram, inserida no seu quinto álbum de estúdio Lovers In The City, lançado em 1995.

Por volta de 1996, Deborah Blando gravou o seu terceiro álbum que foi produzido por Patrick Leonard, o mesmo produtor da Madonna e David Foster, produtor de Michael Jackson. O disco foi lançado primeiro no Brasil, o que lhe rendeu um disco de ouro, devido as mais de 120 mil cópias vendidas, o carro chefe desse disco com certeza é a música “Unicamente” que foi tema da protagonista feita por Adriana Esteves. Ainda na fase de produção do segundo disco, a ideia inicial era de seguir a mesma linha que o disco de estreia lançado em 1991, ou seja, com canções somente em inglês, porém a artista teve a brilhante ideia de mesclar os dois idiomas português e inglês, o resultado final que o disco foi um sucesso conforme mostram os números. Eu não sei você, mas eu tenho esse disco na minha estante.


Devido ao sucesso, o tema de abertura “Maracatudo” foi alterado quando a trama foi reprisada no Vale a Pena Ver de Novo, substituindo o tema instrumental de Sérgio Mendes. Com certeza falarei muito de Deborah Blando, pois ela tem várias canções que foram destaque nas trilhas e que eu particularmente gosto muito.

Mais uma vez nos deparamos com “Meu Bem Querer”, música composta por Djavan, que desta vez foi tema dos pombinhos Felipe (Mateus Rocha) e Carolaine (Nívia Stelmann). Antes de ser inserida na trama, ela foi tema de Vera Fisher em Coração Alado (1980). Logo depois que A Indomada acabou, a composição de Djavan retornou como tema de abertura de Meu Bem Querer (1998).

“É Tão Bom Te Amar” é uma composição escrita por Nando Cordel e interpretada por Fafá de Belém. A música foi retirada do álbum Pássaro Sonhador, lançado em 1996 e rendeu para cantora o disco de platina. Na novela, ela foi tema da romântica camélia Dinorah (Carla Marins), que sonhava em se casar.

A trama também conta com duas canções instrumentais: “Música da Noite (Music Of The Night)”, de Ricardo Feghali e Guilherme Dias Gomes que foi tema do Artêmio (Marcos Frota), o eterno Tonho da Lua de Mulheres de Areia (1993) e “A Indomada” também do instrumentista Guilherme Dias Gomes, que era usada como tema geral no folhetim. Aqui temos um casamento perfeito, pois tanto a novela quanto as trilhas sonoras foram muito certeiras. Em breve pegarei a seleção do segundo volume de A Indomada, mas já adianto que sou fã do primeiro volume, em todos os aspectos.

Volume 1

01. Impossível Acreditar Que Perdi Você – Fábio Jr.
02. Ciranda da Rosa Vermelha – Elba Ramalho
03. Não Adiantou Saber (I Might Be Crying) – Sandra de Sá
04. À Procura de Alguém – Geraldo Azevedo
05. Meu Bem Querer – Djavan
06. Onde Estará o Meu Amor – Maria Bethânia
07. Unicamente – Deborah Blando
08. É Tão Bom Te Amar – Fafá de Belém
09. Cana-caiana – Alceu Valença
10. Baby Toque – Baby Do Brasil
11. Maracatudo – Sérgio Mendes
12. Música da Noite (The Music Of Night) – Ricardo Feghali e Guilherme Dias Gomes
13. Este Seu Olhar – Dick Farney
14. A Indomada – Guilherme Dias Gomes


Vamos para os detalhes do CD:












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